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Roberto Bonaldo
Capa de Depois do Deserto
Volume Dois

Depois do Deserto

Quem fica não é quem parte. É quem aprende a esperar.

Depois que Malik atravessa, alguém precisa ficar. Depois do Deserto muda o centro de gravidade da trilogia: Sara, Noam e os que orbitavam Malik em silêncio ganham voz própria.

É um livro sobre o tempo que separa a partida da aceitação — sobre aprender a carregar uma ausência sem deixá-la ocupar todo o espaço. Um mercado, uma lembrança de Laila, um filho que precisa parar de esperar o pai voltar para começar a se mover sozinho.

Atravessar a costura é aprender a soltar o que se carregou por anos.

Capítulo 3 — O Jantar Sem Nome

Noam interrompeu.

— Pai, você foi num deserto?

A pergunta saiu sem aviso. Direta. Sem filtro. O menino parado. Guardanapo na mão. Olhar esperando.

— Fui.

— Por quê?

Malik respirou. O ar entrou devagar.

— Porque eu tinha esquecido como ficar.

Noam franziu a testa. Sobrancelhas se juntando.

— Ficar onde?

Malik apontou para o peito. Mão plana. Sobre o tecido da camisa.

— Aqui. Comigo mesmo.

Noam pensou. Os olhos desviaram. Voltaram.

— E agora você lembra?

— Lembro quando esqueço.

Depois do Deserto nasceu da pergunta que O Deserto deixou em aberto: e quem ficou? Sara e Noam, presenças secundárias no primeiro volume, ganharam capítulos inteiros escritos a partir do próprio ponto de vista deles.

Na capa, a figura atravessa a costura — o momento exato de transição entre os dois primeiros volumes da trilogia.

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